Óculos transformam jogos de PC em 3D ‘de verdade’

No início de 2009, durante a Consumer Electronic Show (CES), feira norte-americana de tecnologia, a NVidia apresentou oficialmente os óculos 3D Vision. O acessório para PC, que funciona apenas em conjunto com placas GeForce e monitores de frequência de 120Hz ou televisores de alta definição com tecnologia de projeção DLP.

Desta vez, com mais tempo, foi possível testar em detalhes o aparelho, que tecnicamente pode ser descrito como um sistema 3D estereoscópico de alta definição. Na prática, contudo, é basicamente um óculos que simula três dimensões em jogos de computador – imagine uma versão evoluída dos icônicos óculos de lente vermelha e azul usados no cinema.

A armação apresenta duas telas LCD que piscam a uma velocidade máxima de 120 vezes por segundo. Por meio do sensor infravermelho presente nos óculos, as lentes são instruídas a piscarem em frequências determinadas para o olho esquerdo e direito, o que gera o efeito de tridimensionalidade. Tais informações são transmitidas por uma base em formato de meia pirâmide, conectada ao computador via USB. No aparato também está uma chave para ajustar em tempo real a sensação de profundidade, permitindo assim que cada usuário configure da maneira que achar mais confortável.

Os óculos são carregados por meio de uma entrada mini-USB e a bateria dura cerca de 10 horas ininterruptas quando plenamente carregada. Já lançado nos Estados Unidos, o 3D Vision custa US$ 199. A intenção da NVidia é lançá-lo em abril por R$ 600, à venda unicamente em um pacote junto com um monitor LCD de 120Hz da Samsung, que seria o primeiro do tipo no país.

A terceira dimensão em ação

Durante teste feito com o periférico, foram exibidos filmes, demonstrações técnicas e jogos, todos devidamente adaptados à tecnologia do 3D Vision. O efeito não é gerado automaticamente e exige que a imagem seja tratada de forma adequada para que os óculos funcionem. Assim, a intensidade e eficiência da sensação de volume dependem também da habilidade dos produtores com tal técnica.

Primeiramente foi exibido um curta-metragem em computação gráfica concebido especialmente para efeito de demonstração, mas cujos personagens, estilo visual e humor remetem às obras do estúdio Pixar, responsável por “Toy Story”, “Procurando Nemo” etc. O estilo de arte adotado favoreceu o efeito, passando a impressão de se tratarem de bonecos de brinquedo se movendo por conta própria. Mais ao fim, o ataque de um monstro impressiona quando a baba da criatura parece voar em direção ao espectador.

Uma outra demo técnica exibiu a performance da tecnologia ao processar gráficos gerados em tempo real, mostrando o fim da aventura de um bárbaro que busca um tesouro e acaba petrificado. Ainda que o efeito de volume não fosse tão acentuado como no curta-metragem, a qualidade das texturas impressionou pela nitidez e sensação volumétrica.

Por fim, breves trechos filmados com cenas reais foram mostrados, confirmando também competência do 3D Vision para lidar com filmagens de verdade. O excerto mostrava carros antigos circulando por uma praça alemã e era possível discernir claramente detalhes minuciosos das máquinas. Dentre os filmes, certamente a exibição mais competente.

Tecnologia em jogo

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Savana africana de “Far Cry 2” ganha contornos realistas,…
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… mas em “Mirror’s Edge” a sensação de tridimensionalidade já não é tão intensa…
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… e, em “Need for Speed Undercover”, por sua vez, carro do jogador salta aos olhos.

Dentre os jogos o primeiro testado foi “Far Cry 2”, considerado pela própria NVidia como o título que melhor demonstra o potencial do 3D Vision. A extensa savana africana ganha contornos realistas graças à tecnologia. A sensação de profundidade na folhagem é um ponto alto que faz entender o quanto a técnica tridimensional pode ajudar um game a ser ainda mais imersivo. O belo trabalho volumétrico se aplica também a outros efeitos como fogo, poeira, chuva e ate às armas, que parecem se aproximar ou afastar dependendo da maneira como o protagonista as utiliza.

Já “Mirror’s Edge” se destaca graças aos ambientes repletos de corredores e cenários pontuados por arranha-céus, mas carece de cuidado mais atencioso por parte da própria Electronic Arts. A impressão de tridimensionalidade está lá, mas não tão acentuada como em “Far Cry 2” ou “Unreal Tournament 3”, que exibe o uso da tecnologia em conjunto com os efeitos de física do motor gráfico PhysX.

O resultado final é surpreendente, mas também carece de otimização, visto que mesmo em um computador equipado com tecnologia de ponta o jogo rodava a uma taxa de frames baixa. Por fim, mais um game da EA compatível, mas que pouco chama a atenção: “Need for Speed Undercover”.

Salvo o próprio carro que se controla, os adversários e alguns poucos elementos de cenário – como acostamentos – nada salta muito aos olhos, tornando a sensação 3D dispensável para títulos deste tipo. Claro que alguns momentos impressionam, como ultrapassar vários carros em alta velocidade ou colidir com elementos destrutivos, mas pouco acrescentam à experiência de maneira geral, causando mais impacto à princípio por conta da novidade.

Sem efeitos colaterais

Entre mortos, feridos e vitoriosos, o 3D Vision se demonstrou como um acessório divertido e interessante, mas que depende do empenho das produtoras de jogos para cumprir todo o potencial que promete. Durante cerca de uma hora e meia quase ininterrupta de uso do aparelho, a experiência foi confortável, sem dor de cabeça, tonturas ou incômodos típicos de aparatos deste gênero.

fonte: UOL

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